terça-feira, 3 de maio de 2016

Relembranças

1969. Mal havia saído da prisão, torturado que fui por ser comunista recém-retornado da URSS, e consegui um emprego de Supervisor de Manutenção Preventiva na fábrica da SANBRA, em Salvador. O emprego durou três meses, mas foi o suficiente para eu aprender os macetes de um planejamento industrial de manutenção. Logo eu que nunca fui mecânico nem estudei engenharia. Fui demitido quando descobriram que eu era “comunista fichado”.
Em finais de setembro de 1969, vi um anúncio no Jornal “A Tarde” sobre uma vaga de “Administrador de Manutenção” colocado pela CVI. Compareci ao escritório da CVI na Rua Conselheiro Dantas, fui entrevistado por Dalmo Costa, então o Diretor Industrial e fui enviado para Valença, sujeito a uma aprovação prática por parte do Gerente Industrial da Fábrica, o ”mestre” José Augusto dos Santos, casado com a querida Nita.
Logo na entrevista com Dalmo, informei que era comunista e ouvi como resposta: “Para nós, o que interessa é que você saiba fazer o que precisamos”. Pena que ele não passou essa tese para Dr. Zequinha, que me perseguiu durante os longos anos que trabalhei na CVI.
Cheguei a Valença no dia 5 de outubro de 1969 e me hospedei numa pensão que existia em um sobrado na praça do posto de gasolina (não me lembro do nome da praça nem da dona da pensão, mas sei que o sobrado era vizinho às Casas Pernambucanas).
Logo me apresentei ao José Augusto, que deu um giro pela fábrica me mostrando os equipamentos e me perguntando do que eu precisava para iniciar meu trabalho. Era a primeira vez que eu via uma fábrica de tecidos e fiquei assustado, certo de que não daria conta do recado, em função da diversidade de equipamentos.
Pedi um local para me instalar, todos os manuais dos diversos equipamentos (havia poucos e ultrapassados) e uma máquina de escrever.
Fui instalado numa mesa adicional que existia na Sala da Tecelagem (onde quem mandava era Luiz Barbosa e onde também ficava Carlos Roberto Ribeiro, estagiário carioca e responsável pela ”Célula Nova”).
Comecei meu trabalho lendo e relendo os manuais disponíveis e olhando, durante horas, o funcionamento de cada equipamento, desde os abridores até as caldeiras.
Comecei a estruturar o programa de manutenção preventiva fazendo um fichário de necessidades e de acompanhamento (com base no que tinha visto na SANBRA).
Entrevistei cada chefe de departamento, cada mecânico de setor, cada operador de máquina. Nessa tarefa, senti, de imediato, uma forte empatia com Antônio Sarmento e Antônio Barbosa. Senti, também, certa rejeição por parte do Chefe do Laboratório (o que, felizmente, após o passar dos anos, se transformou em amizade). Ele achava que aquela tarefa deveria ser cumprida por um Técnico Têxtil e não por um qualquer não técnico. Com o tempo, pude provar a todos que não era preciso ser técnico para ser administrador.
A partir de 1976, sai da manutenção é fui ser Chefe de Pessoal, depois Chefe de Suprimentos e Compras e, finalmente, Chefe de Expedição e Embalagem (com a saída de José Augusto. Dr. Zequinha foi me jogando para escanteio, já que não tinha coragem para me demitir), função na qual fui demitido por dizer uns desaforos sobre o então Diretor Comercial, Roberto Almeida, filho do Diretor Presidente, Fernando Almeida. Foi um momento de enorme tristeza para mim e de grande alegria para Dr.Zequinha. Os desaforos – merecidos – foram ditos em plena sala da expedição, na presença de todos os empregados do setor, e ouvidos pelo motorista Daulino, que me dedurou ao Roberto Almeida.
Orgulho-me da minha convivência na Indústria Têxtil. Nela aprendi a ser gente, a ser parte de uma equipe. Fui aceito, por iniciativa de Luiz Barbosa, como associado da ABTT, o que perdurou até 1987, quando fui trabalhar na Indústria Veterinária. Cheguei a participar de três congressos da ABTT (Poços de Caldas, Recife e Rio de Janeiro).
Na Valença Industrial, conheci: José Augusto, Luiz Barbosa, Carlito Cândido, Alex Medina, Lealdo Santos, Carlos Roberto Ribeiro, Carlos Roberto Souza, Jorge Luís, Renato Maia (por ali, de passagem), Antonio Sarmento, Aroaldo, João Batista, Antonio Barbosa, Reginaldo Santos, Clóvis Lubrificador, Julinho e Gilberto (da fiação), Cândido Giarolla, Alírio Santos, Salatiel, Orlando Palermo, Bruno Dieter, Francisco Bonfim, Cristóvão, Antonio Marques, Iracy, Gracinha, Conceição, Mustafá, Maria Almeida, Nilza, Sileusa, Marlene, Ferreira, Evilásio, Deoclécio, Urbano, Zeca motorista, José Aguiar, Clodomir, Mestre Salvador, Lúcia, Marlucy, Warty Reis, Daulino (o dedo duro) e Peixoto, Suelito, Ítalo, Oswaldo e Jailton, José Messias Duarte Santana (meu compadre e padrinho de Lorena), Arizonardo, Dudu do Sindicato, D.Heloísa, Armindo, Dr. Zequinha (o honorável Dr. José Soares, apoiador da Ditadura), Dr. Fernando, Dalmo, Dr. Tourinho, José Gonçalves, Dalmo Filho, Roberto Almeida, Ledo Teles, Gercimário, João Santos e tantos outros que me fogem à memória.
Sai da CVI e fui trabalhar na MAVACIL, com os irmãos Maluf (Roberto e Antônio), na qual permaneci por seis meses, quando fui convidado por Mauro Rios para ir trabalhar no Cotonifício José Rufino (por indicação de Luiz Barbosa).
Mudei-me para Recife em julho de 1979.
Na José Rufino conheci Mauro Rios, Sanderland, Manoel Santos, Everaldo, Roberto Maia, os diretores Fernando, Guilherme e Antonio Carlos, Cléa (minha querida companheira por bons 9 anos), Gelson, Valdemir.
Sai da José Rufino em julho de 1980, a chamado de Renato Maia, por indicação de Luiz Barbosa (mais uma vez meu anjo da guarda), para uma entrevista com Carlos Grassi, então diretor geral textil do Grupo Bezerra de Melo. Fui contratado como Gerente Nacional Administrativo, lotado na Fábrica da Macaxeira. Respondia pelas atividades administrativas das fábricas têxteis do grupo, instaladas em Recife, Fernão Velho, Curvelo e Magé. Cheguei a se nomeado Diretor Textil do Nordeste, para ser demitido um mês depois, sob a acusação (mais uma vez) de ser comunista (o que eu era de fato) e responsável pela greve da Macaxeira.
Na Macaxeira, conheci Mário Lopes, Carlos Caracciolo, Paulo Aullete, Josemá Paiva, Spreafico (que chancelou minha demissão), Cristina, Vera, Bezerra, Manoel Maurício, Luís Carlos, Máximo  (que me dedurou),  Carlos Grassi, Charlles Treyvaud, Franco Mozelli, Alberto Júnior, Franqlin Vasconcelos, Jairo Aquino, Braga, Severino Ramos, Cleberson, Garcia, Teófilo Souza, Rivanda, os irmãos Bezerra de Mello. Não me recordo do pessoal de Curvelo e de Magé.
Saí da Macaxeira em agosto de 1982. Montei uma Pessoa Jurídica de Consultoria e fui prestar serviços em Feira de Santana, para fins de contratos com a SUDENE.  Lá fiquei até novembro de 1982, atuando na FERTCAL, de propriedade dos irmãos Maluf (os mesmos da MAVACIL).
Em novembro, recebi um convite do Franklin Vasconcelos para trabalhar na Thomaz Pompeu, como gerente de Importação e Exportação. Mudei-me para Fortaleza em Janeiro de 1983.
Na Thomaz Pompeu conheci Guilherme Almeida, José Pompeu, Thomaz Pompeu Neto, Marcos Pompeu, Valdir Aullete, Cleto Junior, Antonio Bosco, Francisco Carmo, Juarez, Ivon Tomé, Amsterdam, Evandembergh, Silvanísio, Vantuil, Mauro, Gerisvaldo, Moura, Ailton.
Fui nomeado, em 1986, Diretor Administrativo. Em Julho de 1987, a Família Pompeu pediu concordata e eu resolvi sair, antes que me enrolasse com os problemas da fábrica.
Encerrou-se, aí, minha atividade no mundo têxtil. Fui trabalhar na Indústria Veterinária, na qual permaneci até 2000 (quando me aposentei) e à qual ainda presto consultoria em comércio internacional.

Historia enrolada, cheia de baixos e altos, mas história sem estória.

Amo a Indústria Têxtil e dela me sobraram raras amizades, como Alex Medina, Luiz Barbosa, Carlito Cândido, Lealdo Santos, Messias Santana, Francisco Carmo, Franklin Vasconcelos, Antonio Barbosa. A ordem dos nomes nada tem a ver com a importância da amizade.


Juracy de Oliveira Paixão. 

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