Imaginação
e Meias Verdades
- Cenário Um: Irará, maio de 1949, às 10 horas da manhã. Manoel Pereira da Paixão, chapéu de baeta na cabeça, sobe a Rua de Baixo. Adentra à Praça e caminha firme em direção à venda de Nazi, onde comprará um facão, uma pá e dois quilos de carne-do-sertão.
- Cenário Dois: Oitiseiro em frente ao armazém de Alfredo Franco. Na sombra da grande árvore, duas pedras de bom tamanho. Servindo-se dos banquinhos rochosos, dois fortes moços – carregadores -, aguardando o que fazer, charutos caseiros nos bicos.
- Lá vai seu Manezinho do
Alambique. Tá andano ligero, o home.
- Quem é, Jão? Num cunheço nium
Manezinho.
- Aquele lá, Pedo, soci no
alambique de seu Palo Campo. Ele é irmão de seu Bertino do Lambe-Lambe.
- Bertino pai de Dadin, qui
trabaia na venda de seu Cesaro dos bago grande?
- Esse mermo
- E esse Manezinho é daqui?
- Home, é de Conceição, fio de
seu Maroto mais Dona Pomba. Todo mundo pr’essas banda cunhece ele, Jão.
-E ele mora aqui na Rua?
- Não, ele mora de alugué no
sítio de seu Antoninho, ali nas borda da ladeira do Retiro.
- Ah, Pedo, já sê quem é. Ele tem
um caminhão, cum aquele chofé qui os povo chama de Edgá Viado.
- E é?Aquele Edgá barbicha é
viado?
- Dus bom. Pregunte pra Guilerme.
- Esse seu Manezinho é gente boa?
- Dos mió. Morô uns tempo nu
Jiquié mas vortô pra cá. Festero qui só ele, noivô de Dona Maria Danta, aquela
qui trabaia cus prefeito. As dispois, saiu dela e se arrumô de noivo cum uma
fia de seu Tiago Varverde, Dona Piquena. Casô cum ela. Fez um bom negoço.
- E eles tem fii?
- Tem dois fii home i duas fia
muié, mas Dona Piquena tá barriguda de novo.
- Como tu sabe?
- Eu vi ela, nu sabo, na fera, cum
a empregada deles, uma tá de Mariquinha, neguinha muntxo garbosa.
- Home, tu sabe de tudo.
- Pois é, Jão. Seu Manezinho é
amigo dus home: cumpade de seu Maro Campo, soci de seu Palo Campo, e assim-assim
com Seu Piroca Brejão. Vai terminá sendo mandão aqui nos Irará.
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